Crítica de Class: O Spin-off de Doctor Who, Quando Doctor Who expandiu seu universo para novos públicos, Class surgiu como uma aposta ousada e contemporânea. Lançada em 2016 pela BBC, a série foi idealizada por Patrick Ness, renomado autor de literatura jovem-adulta, e apresentou uma proposta diferente: uma história ambientada na clássica escola Coal Hill — lugar historicamente ligado às raízes do próprio Doctor Who.
Com uma abordagem voltada para o público adolescente, mas sem abrir mão de temas mais pesados e dramáticos, Class tentou criar uma ponte entre o universo tradicional da série principal e uma nova geração de espectadores em busca de algo mais intenso e emocional.

Um Drama Adolescente em Meio ao Caos Alienígena
Class acompanha a vida de cinco jovens — Charlie, April, Ram, Tanya e a professora Miss Quill — que se veem no centro de eventos extraordinários. Coal Hill Academy, que já havia sido cenário de eventos misteriosos em Doctor Who, tornou-se uma espécie de “ponto fraco” no tecido do espaço-tempo, atraindo criaturas de outros mundos e ameaças perigosas para a Terra.
Cada personagem trazia sua própria bagagem emocional: perdas, traumas, dilemas identitários e conflitos familiares. Esses dramas pessoais se misturavam às batalhas épicas contra monstros interdimensionais, criando uma narrativa que oscilava entre ficção científica, terror e o típico drama adolescente.
Charlie, por exemplo, não era apenas um aluno comum, mas um príncipe alienígena exilado, enquanto Miss Quill, sua “protetora” involuntária, era uma guerreira de um planeta distante, forçada a viver sob sua vigilância. Essa dinâmica cheia de tensão e sarcasmo adicionava uma camada extra de complexidade à trama.
O Tom Mais Sombrio de Class
Comparado a As Aventuras de Sarah Jane, que abordava a ficção científica de maneira mais leve para o público jovem, Class mergulhava em temas muito mais pesados: luto, culpa, identidade sexual, bullying e sacrifício eram explorados de maneira crua e sem muitos filtros. A série não hesitava em mostrar que crescer é, muitas vezes, enfrentar horrores internos tão assustadores quanto qualquer criatura alienígena.
O Doutor (interpretado por Peter Capaldi) chegou a fazer uma participação especial no episódio de estreia, estabelecendo uma ligação oficial com o universo whoviano. No entanto, Class rapidamente buscou construir seu próprio estilo e identidade, afastando-se do tom mais esperançoso de Doctor Who para mergulhar em um realismo mais sombrio.

Vida Curta, mas Memorável
Apesar do potencial e das críticas positivas a seu roteiro e profundidade emocional, Class teve vida curta. Após apenas uma temporada de oito episódios, a BBC decidiu cancelar a série, deixando várias pontas soltas e uma base de fãs lamentando o fim prematuro da produção.
Muitos apontam que a divulgação limitada e o horário de exibição pouco favorável contribuíram para que Class não alcançasse o público que poderia ter se apaixonado por sua proposta. Ainda assim, a série permanece como uma experiência corajosa dentro do universo expandido de Doctor Who — uma tentativa honesta de misturar drama adolescente com ficção científica de forma madura e provocativa.
O Legado de Class
Mesmo com apenas uma temporada, Class deixou sua marca: mostrou que o universo de Doctor Who é vasto o suficiente para abrigar histórias com tons diferentes, que podem falar diretamente às dores e sonhos da juventude moderna. Para quem procura uma ficção científica intensa, com personagens complexos e conflitos profundos, Class ainda é uma joia escondida que vale a pena descobrir.