Crítica de Resident Evil 3: Extinção

Crítica de Resident Evil 3 Extinção

Crítica de Resident Evil 3: Extinção, “Resident Evil 3: Extinção” tenta ser o ponto de virada da franquia cinematográfica baseada nos jogos, mas acaba se tornando um espelho de seus próprios excessos. Saímos da claustrofobia dos laboratórios da Umbrella e mergulhamos num mundo devastado, onde a infecção já se espalhou e transformou o planeta num deserto pós-apocalíptico. A premissa, em teoria, é ousada: a mistura entre zumbis, ficção científica e o clima de “Mad Max” poderia ter rendido um capítulo memorável.

O problema é que a execução tropeça no mesmo ponto que a franquia inteira: a obsessão em transformar Alice (Milla Jovovich) em uma super-heroína acima de qualquer ameaça. Quando a protagonista é praticamente invencível, o horror perde peso, a tensão se dissolve, e o espectador já não teme pelo destino dos sobreviventes. A atmosfera de perigo, tão marcante nos jogos, aqui se dilui em sequências de ação coreografadas, mais preocupadas com o espetáculo do que com o suspense.

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Há méritos, claro: visualmente, o filme cria boas imagens do deserto e da decadência do mundo. Alguns momentos de confronto contra hordas de zumbis conseguem entreter, e a presença de personagens coadjuvantes como Claire Redfield tenta dar uma conexão mínima com os games. Mas tudo isso é superficial, já que a narrativa não aprofunda ninguém além de Alice e mesmo ela se torna cada vez mais distante do público, mais mito do que ser humano.

No fim, “Resident Evil 3: Extinção” é um filme que ilustra bem a crise da franquia no cinema: preso entre querer ser fiel ao espírito dos jogos e a necessidade de vender como blockbuster de ação. O resultado é um híbrido irregular, que diverte em momentos, mas carece de alma, horror genuíno e impacto emocional. Para quem cresceu com o medo visceral dos jogos, fica a sensação de que o verdadeiro “extinto” aqui é o terror.