Crítica de Resident Evil: O Hóspede Maldito, Lançado em 2002, Resident Evil: O Hóspede Maldito marcou a entrada definitiva dos games de survival horror no cinema. Dirigido por Paul W.S. Anderson, o filme se afasta da trama original dos jogos da Capcom, mas constrói um universo próprio, apostando mais na ação estilizada e no suspense do que no terror psicológico.
A história se passa no subterrâneo da Umbrella Corporation, em uma instalação chamada “Colmeia”, onde um vírus mortal escapa e transforma cientistas em zumbis. A protagonista Alice (Milla Jovovich) acorda sem memória e, ao lado de uma equipe de comando, precisa sobreviver ao caos. Desde o início, fica claro que Anderson queria menos uma adaptação fiel e mais um thriller de ficção científica com estética cyberpunk.

Visualmente, o filme impressiona pelo design frio e metálico dos cenários, que reforçam a ideia de prisão tecnológica. A trilha sonora, com toques eletrônicos e guitarras pesadas de Marilyn Manson, dá o ritmo frenético às cenas de ação, embora às vezes soe exagerada.
Entre os pontos altos, estão a famosa cena do corredor com lasers que virou referência no cinema de ação dos anos 2000 e a tensão crescente ao revelar os zumbis e criaturas mutantes, ainda que com efeitos que hoje envelheceram um pouco. O maior mérito do filme talvez seja justamente criar momentos icônicos e atmosfericamente claustrofóbicos, mesmo sem mergulhar no terror puro.
Por outro lado, fãs da franquia de games sentiram falta de personagens clássicos, como Jill Valentine, Chris Redfield e Leon Kennedy. O roteiro, embora funcional, é raso, e muitas vezes sacrifica o medo em favor de cenas coreografadas de luta, o que distancia o longa da essência de survival horror.

No fim, Resident Evil: O Hóspede Maldito é um filme irregular, mas importante. Foi responsável por abrir caminho para outras adaptações de games no cinema e, mesmo com suas falhas narrativas, conquistou status de cult entre os fãs. Não é terror puro, não é ação plena, mas uma mistura híbrida que funciona mais como entretenimento do que como adaptação fiel.